Acordei hoje pensando que, de fato, estou envelhecendo. Além dos fios brancos que insistem em povoar algumas áreas capilares, ainda bem que só as da cabeça (minhas amigas dizem que quando achamos algum fio branco em outra parte do corpo é hora de nos preocuparmos), já estou pensando que no meu tempo as coisas eram diferentes.
Sou do tempo da máquina de escrever manual, a minha era uma Olivetti vermelha. Tinha como corretivo simpáticas folhinhas que um dos lados era composto por um pozinho branco. Era só retornar o carretel (se esse realmente é o nome), posicionar a folhinha na letra e bater a letra que erramos 456 vezes até fazermos de conta que ela apagou o erro.
Quando eu era adolescente os primeiros PC’s apareceram. O primeiro da minha família foi um qualquer coisa que rodava em DOS e usava o wordstar como editor de texto. Mouse nem pensar, era necessário saber todos os comandos de teclas. Acho que por isso até hoje ainda uso vários comandos sem o mouse, coisa de gente velhinha. A impressora era matricial, demorava horas para imprimir e fazia o barulho equivalente a uma ferrovia repleta de trens.
Em 1995 ganhei de meu pai um DX2-66. Nossa, ele era rápido demais. Fui para New York e trouxe um leitor de CD de 8 velocidades, inacreditável, não existia no Brasil algo tão veloz. Ele tinha dois tamanhos de disquete, um grandão, mole e com pouca capacidade e outro pequeno, rígido e com maior capacidade de armazenamento. Essa frase ficou bastante estranha, dá até para fazer uso sexual dela! Mas o mais importante, para se salves havia de se formatar.
E quando a Internet surgiu, o que era aquilo? Meu primeiro provedor foi o Cidadanet. A conecção era discada. Após um longo tom ouvíamos vários pulsos de discagem. As páginas demoravam horas para abrir, mas eu achava tudo rápido demais, 3 minutos para página estar completíssima.
E os aparelhos de televisão???? Lembro de quando tínhamos somente TV’s preto e branco em casa. O seletor de canais era uma coisa redonda e fazia tec tec para mudar de canal. Como melhorávamos a imagem? Existiam vários truques: 1- rodar a rodela que havia ao redor da bolota. 2- para as listas verticais era preciso arrumar em um pininho que, geralmente, ficava atrás da TV. 3 – Colocar Bombril na ponta da antena, diziam que melhorava a estática, o que quer que isso signifique. 4 – Mandar o primo ou irmão mais novo ficar parado ao lado da televisão, melhorava a recepção. Passei várias horas parada para melhorar a TV da família (sou a caçula geral). 5 – Dar pancadas nela, pensando bem esse ai usamos até hoje.
As televisões coloridas chegaram mais ou menos com a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil “A benção João de Deus, abençoa esse povo que te ama...”. Lembro que as cores eram gritantes, o vermelho era quase sangue.
O controle remoto demorou para chegar, na minha época as pessoas precisavam levantar seus bundões para mudar os canais. Ou em outra hipótese pedir para irmã mais nova ir mudar.
Na minha época não existia metrô na Paulista. Para chegar até lá era preciso ir de ônibus ou carro. Usar as pernas também era uma boa opção. O máximo da independência era ir com os amigos nos cinemas da Paulista ou da Faria Lima, sozinhos.
No meu tempo as crianças podiam ser crianças. Brincávamos na rua, andávamos de bicicleta pelo bairro, jogávamos bolinha de gude, brincávamos de beijo, abraço e aperto de mão para poder dar beijinhos no gatinho. Fazíamos bailinho na garagem de casa, rolava até dança da vassoura.
Na minha época os amigos eram de verdade. Sempre tínhamos tempo uns para os outros e tempo para ficarmos juntinhos. Nessa época as pessoas se preocupavam, de fato, com pessoas e não com quem eram, o que tinham e o que faziam. Naquele tempo ligávamos para os amigos para dar um oi simplesmente, somente pelo desejo de ouvir aquela voz que acalma o coração, não era necessário ter assunto, era “queria falar um oi, ouvir sua voz e saber se está bem”. Os amigos se acobertavam, não entregavam uns aos outros nem sob tortura. Os amigos se alertavam, avisavam quando o perigo rondava. Não permitiam que a vida nos pegasse na esquina. Acho que é disso que mais sinto falta, da minha época!!!!!!
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
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